Muitas pessoas conhecem a dislexia como um desafio com leitura e ortografia. Mas a dislexia afeta a fala?
Acontece que a conexão é mais comum do que você pode imaginar. A dislexia é uma diferença de aprendizagem ampla baseada na linguagem, e seus efeitos podem impactar a maneira como alguém fala.
Este artigo examinará como a dislexia pode se manifestar na fala, quais outros problemas de linguagem podem estar envolvidos e como obter a ajuda certa.
Como a Dislexia e os Desafios de Fala se Sobrepõem?
Pode parecer que a dislexia se resume a ler e soletrar, mas o cenário na verdade é um pouco mais complexo.
Existe uma sobreposição significativa entre a dislexia e os desafios com a fala e a linguagem. Essa conexão geralmente surge de um problema central: o processamento fonológico.
Esta é a habilidade de ouvir, identificar e manipular os sons individuais dentro das palavras. Quando esse sistema não funciona perfeitamente, pode afetar não apenas a leitura e a ortografia, mas também a forma como alguém fala e compreende a linguagem falada.
O Que É o Processamento Fonológico e Como Ele É Afetado Pela Dislexia?
Pense no processamento fonológico como a maneira do cérebro desmembrar as palavras faladas em seus componentes sonoros básicos, como o "c", "a" e "t" em "cat" (gato). Para uma pessoa com dislexia, esse processo pode ser difícil. Ela pode ter dificuldades para:
Distinguir entre sons semelhantes (como "p" e "b").
Lembrar a sequência de sons em uma palavra.
Unir sons para formar palavras.
Dividir palavras em sons individuais.
Essa dificuldade com sons pode se manifestar de várias formas. Por exemplo, uma criança pode demorar mais para começar a falar, ou pode ter problemas para aprender a pronunciar palavras novas ou complexas.
Às vezes, pessoas com dislexia podem confundir palavras com sons parecidos, como dizer "cot" em vez de "cat". Isso também pode tornar mais difícil lembrar palavras comuns, levando àquela sensação de que a palavra está "na ponta da língua".
Por Que É Importante Diferenciar de Forma Precisa a Dislexia dos Transtornos de Fala?
Saber se o desafio principal é a dislexia, um transtorno dos sons da fala, um transtorno de linguagem ou uma combinação deles ajuda os profissionais a personalizarem o tipo certo de ajuda.
O diagnóstico preciso é fundamental para uma intervenção eficaz. Sem ele, alguém pode receber um suporte que não atende plenamente às suas necessidades específicas, potencialmente atrasando o progresso na leitura, na escrita e na fala.
O Que É um Transtorno dos Sons da Fala (TSF)?
O Transtorno dos Sons da Fala, frequentemente abreviado como TSF, é um termo abrangente que cobre as dificuldades que as pessoas têm para produzir os sons corretamente.
Não se trata de não conhecer as palavras, mas sim do ato físico de produzir os sons que formam essas palavras. Pense nisso como um problema com os "blocos de construção" da linguagem falada.
Uma característica fundamental frequentemente observada no TSF é a dificuldade com o processamento fonológico. Isso pode levar a erros na forma como as palavras são pronunciadas, tornando-as difíceis de compreender.
Como a Identificação dos Transtornos dos Sons da Fala Difere da Dislexia?
Embora tanto o TSF quanto a dislexia possam envolver dificuldades com os sons, eles afetam partes diferentes da linguagem.
O TSF afeta principalmente a produção dos sons da fala. A dislexia, por outro lado, refere-se principalmente ao processamento da linguagem escrita, embora muitas vezes tenha origem em problemas subjacentes de processamento fonológico que também podem afetar a fala.
Fazer essa distinção de forma correta é essencial para descobrir a melhor maneira de ajudar alguém. Se alguém tem um TSF, pode precisar de fonoaudiologia focada na articulação e na fonologia. Se a dislexia for o problema principal, o foco pode ser maior em estratégias de leitura e ortografia, mesmo que a fonoaudiologia também seja benéfica.
Às vezes, uma pessoa pode apresentar ambos, o que significa que precisa de um plano que atenda a todas as suas necessidades.
Qual É a Diferença Entre Erros de Articulação e Erros Fonológicos?
Dentro do TSF, costumamos observar dois tipos principais de erros: de articulação e fonológicos.
Os erros de articulação dizem respeito à produção física dos sons. Isso significa que a pessoa pode ter dificuldade em mover a língua, os lábios ou a mandíbula da maneira correta para emitir um som específico. Por exemplo, ela pode apresentar ceceio ou ter dificuldade com o som do 'r'.
Os erros fonológicos, no entanto, dizem respeito às regras dos padrões de som na linguagem. Uma pessoa com erros fonológicos compreende como produzir os sons, mas os utiliza de forma incorreta nas palavras.
Ela pode omitir sons, substituir um som por outro (como dizer 'wabbit' em vez de 'rabbit') ou desorganizar a ordem dos sons em uma palavra. Esses erros fonológicos são o ponto onde o TSF costuma se sobrepor aos desafios observados na dislexia.
Como os Sintomas do TSF Diferem dos Padrões Típicos de Fala na Dislexia?
Alguém com TSF primário pode pronunciar incorretamente de forma consistente certos sons ou palavras, tornando sua fala difícil de compreender, mesmo em uma conversa simples. Seus erros costumam ser previsíveis e relacionados a padrões sonoros específicos ou a dificuldades físicas.
Por outro lado, alguém com dislexia pode apresentar dificuldades de fala mais ligadas aos seus desafios de processamento fonológico. Essa pessoa pode ter dificuldade em recordar as palavras certas, confundir palavras com sons semelhantes ou ter problemas com o ritmo e a fluidez da fala, especialmente ao tentar pronunciar palavras mais longas ou complexas.
Sua fala pode parecer 'esforçada' ou hesitante, não necessariamente devido a um problema físico de produção de som, mas pela dificuldade subjacente em processar e organizar os sons.
Por Que Existe uma Alta Taxa de Comorbidade Entre o TSF e a Dislexia?
A razão pela qual o TSF e a dislexia frequentemente aparecem juntos, uma situação chamada comorbidade, deve-se em grande parte a essa base compartilhada no processamento fonológico. Ambas as condições cerebrais exigem que a pessoa seja ágil em ouvir, lembrar e manipular os sons individuais dentro da linguagem.
Quando essa habilidade fundamental é fraca, ela pode afetar tanto a capacidade de produzir os sons da fala com precisão (TSF) quanto a capacidade de decodificar e codificar palavras escritas (dislexia). Estudos sugerem que um número significativo de pessoas diagnosticadas com dislexia também apresenta características de TSF, destacando a interconexão do desenvolvimento da linguagem falada e escrita.
O Que É o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL)?
O Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, ou TDL, é uma condição que afeta a forma como uma pessoa compreende e utiliza a linguagem falada. Não é causado por outra condição, como perda auditiva ou um problema neurológico conhecido.
Crianças com TDL frequentemente apresentam dificuldades com habilidades de linguagem que vão além de apenas a pronúncia. Isso pode incluir dificuldades com vocabulário, gramática e organização de frases de uma maneira que faça sentido.
Quais São os Desafios Mais Amplos Associados aos Transtornos de Linguagem?
Enquanto algumas crianças podem ter dificuldades com apenas algumas palavras, o TDL costuma envolver uma gama mais ampla de desafios de linguagem. Essas dificuldades podem se manifestar de várias maneiras:
Compreensão da Linguagem: Isso pode significar ter dificuldades para seguir instruções, compreender frases mais longas ou complexas, ou captar o significado de palavras novas.
Uso da Linguagem: Isso pode envolver o uso de frases mais curtas, ter um vocabulário menor do que os colegas da mesma idade ou ter dificuldades na busca das palavras certas para expressar pensamentos.
Gramática e Estrutura de Frases: Crianças com TDL podem cometer erros gramaticais frequentes, como usar o tempo verbal incorreto ou não colocar as palavras na ordem certa.
Organização de Ideias: Organizar pensamentos em uma história ou explicação coerente também pode ser um obstáculo significativo.
Como o Perfil do Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem Difere do Perfil da Dislexia?
A dislexia afeta principalmente a leitura e a escrita, originando-se de dificuldades no processamento fonológico. Embora as pessoas com dislexia possam apresentar alguns desafios de linguagem relacionados, o problema central está na estrutura sonora da linguagem no que diz respeito à leitura e à escrita.
Em contrapartida, o TDL é um transtorno de linguagem mais amplo. Uma pessoa com TDL pode apresentar dificuldades com a linguagem falada que não estão diretamente ligadas às suas habilidades de leitura ou escrita.
Por exemplo, ela pode ter dificuldades para compreender instruções faladas complexas ou para formular frases gramaticalmente corretas em uma conversa, mesmo que suas habilidades de leitura e escrita estejam se desenvolvendo de forma típica.
É Possível Ter Tanto Dislexia Quanto TDL?
É perfeitamente possível que uma pessoa tenha tanto dislexia quanto TDL. Isso é conhecido como um diagnóstico duplo.
Quando essas condições coexistem, os desafios podem ser mais complexos. A pessoa pode ter dificuldades tanto com os aspectos baseados no som da leitura e da escrita (dislexia) quanto com a compreensão e o uso mais amplos da linguagem falada (TDL).
Identificar ambas as condições é importante porque permite um suporte à saúde cerebral mais direcionado e integrado. Por exemplo, alguém que apresenta as duas condições pode precisar de intervenções que trabalhem a consciência fonológica para a leitura, ao lado de estratégias para melhorar o vocabulário e a estrutura das frases para a comunicação falada.
Essa sobreposição significa que os planos de suporte precisam considerar o panorama completo das necessidades de linguagem e alfabetização do indivíduo.
Como um Diagnóstico Duplo É Avaliado e Tratado?
Quais Profissionais Estão Envolvidos na Abordagem de Diagnóstico em Equipe?
Geralmente é necessária uma equipe de profissionais trabalhando juntos para identificar se alguém apresenta dislexia, TSF, TDL ou uma combinação deles.
O fonoaudiólogo costuma ser o profissional de referência para avaliar as questões de fala e linguagem. Ele saberá identificar se os problemas de fala estão relacionados a como os sons são produzidos (TSF) ou a desafios de linguagem mais amplos (TDL).
Por outro lado, o psicólogo educacional ou um especialista em distúrbios de aprendizagem geralmente realiza as avaliações de dislexia, focando nas habilidades de leitura e escrita. Às vezes, esses profissionais colaboram estreitamente, compartilhando seus resultados para obter uma visão completa.
O Que Esperar de uma Avaliação Integrada?
Quando há suspeita de que uma pessoa apresente tanto dislexia quanto um transtorno de fala ou de linguagem, o processo de avaliação torna-se mais detalhado. Uma avaliação integrada visa compreender como essas diferentes áreas interagem.
Você pode esperar que o fonoaudiólogo realize testes avaliando:
Consciência fonológica: A facilidade com que o indivíduo consegue ouvir e manipular os sons nas palavras.
Articulação e fonologia: A precisão na produção dos sons da fala e os padrões de erros de som.
Linguagem expressiva e receptiva: A habilidade em usar palavras e gramática para se comunicar e compreender a linguagem.
Enquanto isso, um especialista em leitura ou psicólogo educacional avaliará:
Decodificação de leitura: A habilidade de ler e decifrar os sons das palavras.
Fluência de leitura: A fluidez e a velocidade com que se realiza a leitura.
Ortografia: A capacidade de representar a linguagem falada por meio de símbolos escritos.
Compreensão de leitura: O entendimento do significado do texto escrito.
Como a Pesquisa de Ondas Cerebrais (EEG) Pode Revelar Diferenças?
Ao analisar condições sobrepostas como a dislexia e o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, pesquisadores na área de neurociência recorrem cada vez mais à eletroencefalografia (EEG) para compreender melhor a neurobiologia subjacente.
Atualmente, essas ferramentas eletrofisiológicas não são utilizadas em ambientes clínicos padrão para diagnosticar ou diferenciar esses desafios de aprendizagem e linguagem; o diagnóstico clínico continua a depender inteiramente de avaliações comportamentais e educacionais abrangentes.
Contudo, no campo da pesquisa científica, o EEG atua como um instrumento fundamental na busca por marcadores neurofisiológicos objetivos. Ao medir a atividade elétrica do cérebro em tempo real, os cientistas buscam identificar assinaturas neurais distintas para cada condição.
Como as Diferentes Respostas Cerebrais se Relacionam com as Tarefas de Linguagem?
Para desvendar essas fronteiras neurológicas, os pesquisadores utilizam o EEG para monitorar como o cérebro processa tarefas cognitivas e linguísticas altamente específicas.
Por exemplo, estudos de ERP (potenciais relacionados a eventos) demonstraram que o cérebro de um indivíduo com TDL pode apresentar uma resposta elétrica nitidamente atípica ao compreender e produzir a estrutura de frases, incluindo a organização das palavras e o uso de recursos gramaticais, em comparação com um indivíduo com dislexia.
Ao comparar essas respostas elétricas direcionadas, os pesquisadores conseguem começar a mapear as redes neurais distintas afetadas por cada condição. Essas medições temporais precisas oferecem base biológica para distinguir entre dislexia e TDL, reforçando que, embora as condições possam se apresentar de forma semelhante no ambiente educacional, elas são coordenadas por mecanismos neurocognitivos fundamentalmente diferentes.
Como É um Suporte Integrado?
Quando uma pessoa apresenta simultaneamente dislexia e um transtorno de fala ou linguagem, o suporte precisa ser coordenado. Isso significa que as pessoas que a ajudam, como professores e terapeutas, precisam trabalhar em conjunto.
Como Deve Ser Feita a Coordenação Entre o Ensino da Leitura e a Fonoaudiologia?
Especialmente para as crianças, essa coordenação é essencial. O ensino da leitura costuma focar na fonética, que trata dos sons nas palavras.
A fonoaudiologia também trabalha com os sons, mas pode focar em como produzir fisicamente esses sons de forma correta (articulação) ou em como os sons se agrupam em palavras e frases (fonologia). Como ambas as áreas lidam com sons, há uma grande sobreposição.
As atividades de consciência fonológica usadas na intervenção de leitura podem apoiar diretamente as metas da terapia de fala relacionadas aos padrões de som. Por exemplo, jogos de rimas ou segmentação de palavras em sons individuais podem ajudar tanto na leitura quanto na fala.
Os fonoaudiólogos podem oferecer um Insight sobre as dificuldades sonoras específicas de um aluno, o que pode orientar a forma como os especialistas em leitura ensinam a fonética. Se uma criança tem problemas com o som do 'r', por exemplo, o professor de leitura pode estar ciente disso e adaptar sua abordagem.
O vocabulário e a estrutura das frases também são áreas onde a leitura e a fonoaudiologia podem se alinhar. Desenvolver um vocabulário amplo e compreender a gramática auxilia tanto na compreensão da linguagem falada quanto no entendimento do texto escrito.
Quais Adaptações em Sala de Aula Apoiam um Perfil Complexo?
Além da terapia direta e do ensino de leitura, as salas de aula podem adotar ajustes para auxiliar estudantes com dislexia e desafios de fala/linguagem. Não se trata de reduzir as exigências, mas de oferecer formas diferentes de acessar a informação e demonstrar o conhecimento.
O uso de recursos visuais pode ser de grande ajuda. Isso pode incluir dicionários ilustrados, organizadores gráficos para escrita ou cronogramas visuais. Eles apoiam tanto a compreensão da linguagem quanto a organização do pensamento para falar e escrever.
Permitir tempo extra para tarefas, especialmente as que envolvem leitura em voz alta, apresentações para a classe ou respostas escritas, pode diminuir a ansiedade e dar ao estudante a chance de processar as informações de forma mais eficaz.
Fornecer anotações ou resumos antes de uma aula pode auxiliar alunos que apresentam dificuldades com a compreensão auditiva ou ao tomar notas. Isso lhes dá a oportunidade de visualizar o conteúdo previamente e focar na compreensão em vez de apenas registrar informações.
Utilizar tecnologia assistiva também pode ser uma ajuda significativa. Isso pode variar desde softwares de conversão de texto em voz, que leem em voz alta os materiais escritos, até softwares de comando de voz para texto, que convertem palavras faladas em escrita, ou até mesmo aparelhos especializados que auxiliam no processamento auditivo. Essas ferramentas ajudam a superar as barreiras causadas pelas dificuldades de leitura ou fala.
Qual É o Impacto da Dislexia na Fala?
Fica claro que a dislexia, muitas vezes vista apenas como uma questão de leitura, de fato pode afetar a fala.
Além disso, o modo como a dislexia afeta a fala varia de pessoa para pessoa. Os desafios podem ir desde a dificuldade de encontrar as palavras corretas até problemas com a pronúncia e até mesmo gagueira.
Essas dificuldades relacionadas à fala surgem dos problemas estruturais que a dislexia traz, como os desafios na consciência fonológica — ou seja, na compreensão e no uso dos sons da linguagem.
Embora a dislexia por si só não tenha cura, compreender essas correlações é um grande avanço. Com o suporte adequado, como a fonoaudiologia e intervenções especializadas, as pessoas com dislexia podem melhorar de forma expressiva suas habilidades de fala e comunicação, conquistando mais confiança e sucesso em todas as áreas da vida.
Referências
Hayiou‐Thomas, M. E., Carroll, J. M., Leavett, R., Hulme, C., & Snowling, M. J. (2017). When does speech sound disorder matter for literacy? The role of disordered speech errors, co‐occurring language impairment and family risk of dyslexia. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 58(2), 197-205. https://doi.org/10.1111/jcpp.12648
Cantiani, C., Lorusso, M. L., Perego, P., Molteni, M., & Guasti, M. T. (2015). Developmental dyslexia with and without language impairment: ERPs reveal qualitative differences in morphosyntactic processing. Developmental neuropsychology, 40(5), 291-312. https://doi.org/10.1080/87565641.2015.1072536
Perguntas Frequentes
A dislexia pode afetar a fala de uma pessoa?
Sim, a dislexia pode afetar a fala. Embora seja muito conhecida como um desafio de leitura e aprendizado, ela também pode afetar a maneira como uma pessoa se comunica verbalmente. Isso pode aparecer como dificuldade para achar a palavra correta, confundir os sons dentro das palavras ou ter problemas para pronunciar os vocábulos com clareza. Tudo isso está relacionado com o modo como o cérebro processa os sons da linguagem.
O que é dislexia de fala?
A dislexia de fala é frequentemente chamada de Dislexia Fonológica. Significa que a pessoa tem problemas para identificar e usar os sons da linguagem. Isso pode tornar difícil associar as letras aos seus respectivos sons, o que prejudica a leitura, a escrita e, às vezes, a própria fala.
Como a dislexia afeta a pronúncia das palavras?
Pessoas com dislexia podem apresentar dificuldades na pronúncia por terem problemas para compreender como os sons se conectam dentro das palavras. Elas podem confundir palavras com sons semelhantes ou ter dificuldades para pronunciar palavras novas ou complexas. Algumas vezes, isso pode fazer com que evitem realizar leituras em voz alta.
A dislexia pode fazer com que alguém confunda as palavras?
Confundir palavras é um sinal comum. Isso pode acontecer quando a pessoa não consegue encontrar o termo correto que gostaria de falar, pronuncia uma palavra de forma errada ou troca os sons dentro de uma palavra. Por exemplo, ela pode dizer 'cot' em vez de 'cat' por conta da semelhança entre os sons.
Crianças com dislexia apresentam atraso na fala?
Crianças com dislexia podem demorar mais para começar a falar em comparação aos seus colegas de mesma idade. Elas também podem guardar palavras novas de forma mais lenta ou ter dificuldades para lembrar e dizer nomes, números ou cores. Se uma criança tem histórico de dislexia na família e apresenta atraso na fala, vale a pena avaliar.
A dislexia afeta a estrutura das frases ao falar?
Por conta da dislexia prejudicar o processamento de linguagem como um todo, alguns indivíduos podem achar desafiador estruturar frases corretamente. Isso pode representar dificuldades para organizar as ideias em uma frase correta em termos gramaticais ou confundir classes gramaticais.
Por que falar na frente de um grupo é difícil para alguém com dislexia?
Falar em público pode ser intimidador para qualquer pessoa, mas para indivíduos com dislexia, o receio de cometer erros de fala ou passar por constrangimentos pode aumentar ainda mais a ansiedade. Essa autocrítica pode fazer com que a oratória para grupos pareça um grande desafio.
A dislexia pode afetar a clareza da fala (articulação)?
Sim, podem ocorrer dificuldades com a articulação. Isso significa que o que uma pessoa com dislexia diz pode nem sempre ser nítido ou fácil de ser compreendido pelos outros. É diferente da pronúncia, que diz respeito a emitir os sons de forma adequada; a articulação trata da clareza global da fala.
A dislexia pode prejudicar a capacidade de alguém encontrar a palavra certa?
Com certeza. Isso costuma ser chamado de dificuldade de busca de palavras ou problemas de memória fonológica. Pessoas com dislexia podem ter dificuldades para recordar termos comuns, mesmo os mais simples, ou experimentar com frequência aquela sensação de palavra 'na ponta da língua'. É difícil resgatar na memória a combinação exata de sons necessária para pronunciar a palavra.
Emotiv é uma líder em neurotecnologia que ajuda a avançar a pesquisa em neurociência por meio de ferramentas acessíveis de EEG e dados cerebrais.
Christian Burgos




