
Por que é importante conhecer o seu cérebro?
Mehul Nayak
Atualizado em
31 de mar. de 2022

Por que é importante conhecer o seu cérebro?
Mehul Nayak
Atualizado em
31 de mar. de 2022

Por que é importante conhecer o seu cérebro?
Mehul Nayak
Atualizado em
31 de mar. de 2022
Nossos cérebros são a parte mais complexa de nossos corpos, controlando tudo, desde a inteligência e a cognição até o gerenciamento de comportamentos. Embora tenha apenas três libras de peso (cerca de 1,4 kg), o cérebro é a torre de controle de todo o resto do corpo.
Ele é tão essencial para o funcionamento do corpo que começa a amadurecer antes do nascimento. Curiosamente, o cérebro não amadurece na mesma proporção em todos os indivíduos. No entanto, isso não deve ser uma grande surpresa.
Nossos corpos crescem de forma diferente. Da maturidade emocional à puberdade, alcançamos diferentes estágios em ritmos distintos. Portanto, faz todo o sentido que nossos cérebros também sejam diferentes. Com certeza você ficou curioso sobre o funcionamento do seu cérebro e como ele pode diferir do de outra pessoa.
Aqui está uma visão geral de por que é importante conhecer o seu cérebro e como este conhecimento pode capacitar você.
Por que aprender sobre o seu cérebro
Nosso sistema nervoso é constituído por uma série de células, chamadas neurônios, que formam as unidades funcionais primárias do cérebro. Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Em média, o cérebro humano compreende de 80 a 90 bilhões de neurônios. Além dos neurônios, o cérebro também contém as glias — células especializadas que protegem os neurônios.

Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Os cientistas aprenderam muito sobre o cérebro nos últimos séculos, incluindo muitas de suas estruturas e funções. Essas descobertas mostraram que a anatomia básica do cérebro é semelhante para todos nós.
No entanto, o padrão de conexões e interações neuronais varia de pessoa para pessoa. É aí que reside a variação no comportamento humano. Nossos circuitos cerebrais se remodelam a cada nova experiência, tornando-nos as pessoas que somos.
Como ainda conseguimos nos lembrar de um incidente ocorrido há vinte anos? Como as pessoas aprendem a dançar balé ou a fazer malabarismo com uma dezena de bolas de uma vez só? Todas essas experiências incríveis podem ser atribuídas ao cérebro.
Contudo, o cérebro é tão complexo que é difícil compreendê-lo totalmente. Os pesquisadores ainda estão tentando entender as diferentes partes do cérebro e o papel que desempenham nas emoções, na memória, no intelecto e em outras percepções.
Para compreendermos verdadeiramente o cérebro, precisamos identificar as células que o compõem e caracterizá-las com base em sua conectividade e função. Na verdade, muitos tratamentos novos provêm dessa compreensão fundamental da maneira como os neurônios interagem no corpo.
Um dos primeiros métodos de estudo do cérebro foi o Eletroencefalograma (EEG). Em 1929, Hans Berger colocou sensores no couro cabeludo para registrar os potenciais elétricos gerados pelos neurônios. Isso proporcionou a primeira visão (insight) sobre a atividade cerebral. Embora esse EEG inicial consistisse em registros analógicos rudimentares, a tecnologia progrediu de modo a permitir a digitalização de dados de ondas cerebrais, sendo ainda comumente utilizada em uma ampla variedade de cenários. Hoje, a psicologia cognitiva e a ciência do cérebro são mais baseadas no contexto. Dispomos agora de ferramentas que nos permitem estudar conjuntos de dados para compreender o funcionamento cerebral em relação a certas condições, ambientes, gatilhos e atividades — algo que não era possível anteriormente.
A contextualização dos estudos cerebrais possibilita-nos compreender melhor a nós mesmos e estudar a forma como o nosso cérebro participa em nossa interação com o meio que nos rodeia.
Considerando isso, existem muitas razões para você buscar aprender sobre o seu cérebro.
Melhorar as habilidades de aprendizado
Ao longo dos anos, as pesquisas em torno da capacidade de "aprendizado" do cérebro ajudaram educadores a criar um ambiente de aprendizagem que seja não apenas adequado para os estudantes, mas que também facilite o aprendizado eficaz.
Contudo, esse conhecimento não é útil apenas para os professores. Você também pode utilizá-lo individualmente para otimizar seu bem-estar cognitivo e, em última análise, melhorar a sua qualidade de vida.
Tomemos o exemplo do aprendizado de coisas novas para explicar isso em detalhes.
Quando você aprende algo novo, ocorrem muitas mudanças no seu cérebro. Dessas alterações, a mais proeminente é a formação de novas conexões entre os neurônios — fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
Se você continuar praticando uma mesma atividade repetidamente, essas conexões tornam-se mais fortes. Como resultado, as mensagens entre os neurônios são transmitidas com rapidez. Como isso ajuda você? Permite-lhe recordar o que aprendeu de uma forma muito mais ágil e eficiente.
Como melhorar a sua cognição?
Suponha que você esteja aprendendo a costurar. Sendo iniciante, levará horas, se não dias, para aprender determinado tipo de ponto e aperfeiçoá-lo. Com a prática, isso se tornará sua segunda natureza.
Curiosamente, o oposto também é verdadeiro. Quando você deixa de praticar, as conexões se enfraquecem e você já não terá a mesma eficiência na execução dessa tarefa.
Um artigo da Frontiers explica isso usando a metáfora de uma trilha em uma floresta fechada pela vegetação. Na primeira vez em que você passar por ela, terá dificuldades em afastar os galhos e a vegetação do seu caminho.
No entanto, quanto mais você passar por ela, mais transitável o caminho se tornará, à medida que você remove os galhos do caminho cada vez que passa. Depois de algum tempo, chegará o momento em que não precisará remover nada, pois o caminho estará livre, permitindo que você caminhe com facilidade.

Você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado.
Contudo, se você deixar de passar por essa trilha por alguns meses ou anos, a mata voltará a crescer. Caso precisasse retornar a ela, você teria que recomeçar do zero.
No entanto, é importante notar que algumas conexões neurais no cérebro tornam-se tão fortes que nunca desaparecem completamente, mesmo quando não são utilizadas com frequência.
Ao conhecer essas informações sobre o seu cérebro, você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado. Você agora sabe que precisa praticar uma nova habilidade ou atividade para aperfeiçoá-la.
Melhor ainda, se você testar a si mesmo, terá maior probabilidade de lembrar a informação aprendida. Um estudo mostrou que, ao realizar exames ou testes, você retém mais informações em comparação com apenas estudar passivamente. Ou seja, o esforço para resgatar a informação ajuda-o a lembrar-se dela melhor do que simplesmente repeti-la mentalmente.
Imagine que você esteja aprendendo uma nova linguagem de programação. Certamente, praticá-la o ajudará a aprender de maneira mais rápida e eficiente. Mas se você também fizer exercícios de codificação online ou trabalhar em um projeto onde precisa recordar as informações ativamente, terá muito mais probabilidade de reter esse conhecimento que adquiriu.
Construir resiliência
Compreender como o seu cérebro funciona também o ajudará a desenvolver resiliência. É interessante notar que a resiliência não é um traço com o qual você nasce. É um processo de pensamento e um conjunto de comportamentos que você pode aprender e desenvolver ao longo do tempo.
A resiliência é fundamental porque lhe dá forças para superar e processar as dificuldades da vida. Pessoas que não possuem resiliência têm maior tendência a ficarem sobrecarregadas e a adotarem mecanismos de enfrentamento pouco saudáveis.
Enquanto isso, indivíduos com maior nível de resiliência conseguem recorrer às suas redes de apoio e forças internas para encontrar uma saída para seus problemas e superar tragédias ou desafios na vida.
E não, os mantras do Instagram com fundos descolados não vão ajudá-lo aqui. Em vez disso, você pode usar a neuroplasticidade do seu cérebro para construir uma mente resiliente. Ao fazer isso, melhora a sua capacidade de lidar com o estresse.
Primeiramente, compreendamos o que realmente significa resiliência. Ser resiliente não significa indiferença diante de qualquer dor ou tragédia que surja em sua jornada. É, de fato, o processo de adaptação diante de um trauma, tragédia ou adversidade.
Em termos simples, é o ato de "dar a volta por cima" após um evento marcante em sua vida, como a perda de um ente querido ou um problema de saúde. E a resiliência não é proporcional à quantidade de palestrantes motivacionais que você ouve ou ao quanto você reza — embora essas coisas possam ajudar.
A resiliência tem muito a ver com a ativação do córtex pré-frontal esquerdo do seu cérebro.
Pesquisas sobre resiliência e o cérebro
De acordo com Richard Davidson, professor de Psicologia e Psiquiatria na Universidade de Wisconsin–Madison, o grau de ativação nessa região cerebral em uma pessoa resiliente pode ser até trinta vezes maior do que em alguém que não seja resiliente.
Em seus primeiros estudos, Davidson descobriu que a intensidade dos sinais enviados do córtex pré-frontal para a amígdala determina a velocidade com que o cérebro de uma pessoa se recupera de uma perturbação emocional.
A amígdala é uma região do cérebro que detecta ameaças e ativa a resposta de luta ou fuga. Havendo uma atividade intensificada no córtex pré-frontal, reduz-se o tempo que a amígdala leva para ser regulada.
Por outro lado, caso ocorra menor ativação no lado esquerdo do córtex pré-frontal, a amígdala leva mais tempo para responder. Posteriormente, Davidson realizou pesquisas mais abrangentes por meio de exames de ressonância magnética (MRI) e constatou que a quantidade de substância branca — axônios que conectam os neurônios — entre a amígdala e o córtex pré-frontal é diretamente proporcional à resiliência.
Em termos claros, isso significa que quanto mais substância branca ou maior conectividade você tiver entre essas duas regiões, mais resiliente você será. O inverso também é válido.
Como construir um cérebro resiliente?
A pesquisa do Professor Davidson é um excelente exemplo de como podemos usar o conhecimento sobre nossos cérebros para nos aprimorarmos. A esta altura, você já sabe que criar conexões mais fortes entre a amígdala e o córtex pré-frontal ajudará a torná-lo mais resiliente.

Você pode trabalhar ativamente para isso ao adotar hábitos e comportamentos que ajudarão a construir um cérebro resiliente.
Sendo assim, você pode trabalhar ativamente para alcançar esse objetivo adotando hábitos e práticas cotidianas que apoiam o desenvolvimento de um cérebro sólido e resiliente. Veja alguns exemplos:
Pratique a autocompaixão: Ter compaixão consigo mesmo não deve ser confundido com arrogância, complacência ou autocomiseração. Na verdade, é o reconhecimento positivo de seus erros e sofrimentos, ajudando-o a reagir a eles com compreensão e acolhimento. Pesquisas apontam que a autocompaixão constitui um fator determinante para que eventos trágicos tornem-se retrocessos ou degraus para seguir em frente.
Pratique Mindfulness (Atenção Plena): Ser consciente ou praticar mindfulness significa apenas estar desperto para as ocorrências no exato momento em que elas acontecem. Na atenção plena, você deve focar sua consciência no presente. Estudos mostram que o mindfulness pode induzir a neuroplasticidade no cérebro. Consequentemente, pode atenuar a degeneração cerebral decorrente da idade, ampliar o poder de concentração, otimizar sua memória de trabalho e melhorar as funções cognitivas.
Pratique a gratidão: Sendo humanos, mostramos uma tendência inata para perceber e focar nas coisas negativas — fenômeno denominado viés de negatividade. Infelizmente, essa característica inerente muitas vezes nos dificulta sermos resilientes perante as adversidades. Contudo, a gratidão é uma prática cientificamente comprovada para superar esse viés negativo e internalizar o que há de bom na vida. Pesquisas revelam que a gratidão não só otimiza a saúde de modo geral, mas também aperfeiçoa a qualidade e a quantidade de sono.
Embora estas não sejam as únicas maneiras de estruturar um cérebro resiliente, tais práticas o ajudam a melhorar a conectividade cerebral ao longo do tempo. Você também pode exercitar outros aspectos, como a generosidade, a motivação e o aprendizado contínuo para aperfeiçoar sua resiliência.
Otimizar o funcionamento cerebral
A partir do momento em que começa a compreender como funciona o seu cérebro, você passa a ser capaz de, efetivamente, aprimorar o seu desempenho global. Através do treino, você pode desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Memória de trabalho
Sua memória de trabalho é a capacidade do cérebro de reter informações enquanto você soluciona um determinado problema. Por exemplo, quando você lê um número em uma agenda e consegue retê-lo tempo suficiente para digitá-lo no celular.
Contudo, você se esquecerá dele em uma hora.
Estudos dedicados ao cérebro indicam que a memória de trabalho possui um mecanismo subjacente dividida em três fases: armazenamento, atenção e controle.
Diferentes metodologias de análise cerebral mostram que todas essas três vertentes são relevantes para explicar por que a capacidade da memória de trabalho difere entre as pessoas. A amplitude da memória de trabalho também se encontra associada à maturação cerebral.
Por exemplo, crianças no início da idade escolar conseguem apenas seguir uma ou duas instruções por vez. Ao passo que os professores podem sugerir uma listagem de tarefas aos alunos do ensino médio e os cérebros destes serão capazes de lembrá-las.
Confira alguns indicadores que podem sugerir uma memória de trabalho fragilizada:
Você quer participar de um diálogo, mas quando chega a sua vez de falar, você já esqueceu o que ia dizer.
Esquece com frequência onde deixou a carteira, as chaves e o celular.
Você planeja realizar uma atividade, mas esquece de levar o material necessário para ela, mesmo tendo sido lembrado disso poucos minutos antes.
Precisa ler um mesmo parágrafo repetidas vezes para conseguir reter o conteúdo ali expresso.
Caso se identifique com essas situações, é provável que você possua uma memória de trabalho pouco desenvolvida. Como melhorá-la? Aprendendo mais sobre o seu cérebro e entendendo como o seu cérebro especificamente atua.

Através da prática, você consegue desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Assim que obtiver essas informações, você poderá usá-las para treinar seu cérebro de forma adequada. Por exemplo, você pode usar uma técnica chamada
Nossos cérebros são a parte mais complexa de nossos corpos, controlando tudo, desde a inteligência e a cognição até o gerenciamento de comportamentos. Embora tenha apenas três libras de peso (cerca de 1,4 kg), o cérebro é a torre de controle de todo o resto do corpo.
Ele é tão essencial para o funcionamento do corpo que começa a amadurecer antes do nascimento. Curiosamente, o cérebro não amadurece na mesma proporção em todos os indivíduos. No entanto, isso não deve ser uma grande surpresa.
Nossos corpos crescem de forma diferente. Da maturidade emocional à puberdade, alcançamos diferentes estágios em ritmos distintos. Portanto, faz todo o sentido que nossos cérebros também sejam diferentes. Com certeza você ficou curioso sobre o funcionamento do seu cérebro e como ele pode diferir do de outra pessoa.
Aqui está uma visão geral de por que é importante conhecer o seu cérebro e como este conhecimento pode capacitar você.
Por que aprender sobre o seu cérebro
Nosso sistema nervoso é constituído por uma série de células, chamadas neurônios, que formam as unidades funcionais primárias do cérebro. Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Em média, o cérebro humano compreende de 80 a 90 bilhões de neurônios. Além dos neurônios, o cérebro também contém as glias — células especializadas que protegem os neurônios.

Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Os cientistas aprenderam muito sobre o cérebro nos últimos séculos, incluindo muitas de suas estruturas e funções. Essas descobertas mostraram que a anatomia básica do cérebro é semelhante para todos nós.
No entanto, o padrão de conexões e interações neuronais varia de pessoa para pessoa. É aí que reside a variação no comportamento humano. Nossos circuitos cerebrais se remodelam a cada nova experiência, tornando-nos as pessoas que somos.
Como ainda conseguimos nos lembrar de um incidente ocorrido há vinte anos? Como as pessoas aprendem a dançar balé ou a fazer malabarismo com uma dezena de bolas de uma vez só? Todas essas experiências incríveis podem ser atribuídas ao cérebro.
Contudo, o cérebro é tão complexo que é difícil compreendê-lo totalmente. Os pesquisadores ainda estão tentando entender as diferentes partes do cérebro e o papel que desempenham nas emoções, na memória, no intelecto e em outras percepções.
Para compreendermos verdadeiramente o cérebro, precisamos identificar as células que o compõem e caracterizá-las com base em sua conectividade e função. Na verdade, muitos tratamentos novos provêm dessa compreensão fundamental da maneira como os neurônios interagem no corpo.
Um dos primeiros métodos de estudo do cérebro foi o Eletroencefalograma (EEG). Em 1929, Hans Berger colocou sensores no couro cabeludo para registrar os potenciais elétricos gerados pelos neurônios. Isso proporcionou a primeira visão (insight) sobre a atividade cerebral. Embora esse EEG inicial consistisse em registros analógicos rudimentares, a tecnologia progrediu de modo a permitir a digitalização de dados de ondas cerebrais, sendo ainda comumente utilizada em uma ampla variedade de cenários. Hoje, a psicologia cognitiva e a ciência do cérebro são mais baseadas no contexto. Dispomos agora de ferramentas que nos permitem estudar conjuntos de dados para compreender o funcionamento cerebral em relação a certas condições, ambientes, gatilhos e atividades — algo que não era possível anteriormente.
A contextualização dos estudos cerebrais possibilita-nos compreender melhor a nós mesmos e estudar a forma como o nosso cérebro participa em nossa interação com o meio que nos rodeia.
Considerando isso, existem muitas razões para você buscar aprender sobre o seu cérebro.
Melhorar as habilidades de aprendizado
Ao longo dos anos, as pesquisas em torno da capacidade de "aprendizado" do cérebro ajudaram educadores a criar um ambiente de aprendizagem que seja não apenas adequado para os estudantes, mas que também facilite o aprendizado eficaz.
Contudo, esse conhecimento não é útil apenas para os professores. Você também pode utilizá-lo individualmente para otimizar seu bem-estar cognitivo e, em última análise, melhorar a sua qualidade de vida.
Tomemos o exemplo do aprendizado de coisas novas para explicar isso em detalhes.
Quando você aprende algo novo, ocorrem muitas mudanças no seu cérebro. Dessas alterações, a mais proeminente é a formação de novas conexões entre os neurônios — fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
Se você continuar praticando uma mesma atividade repetidamente, essas conexões tornam-se mais fortes. Como resultado, as mensagens entre os neurônios são transmitidas com rapidez. Como isso ajuda você? Permite-lhe recordar o que aprendeu de uma forma muito mais ágil e eficiente.
Como melhorar a sua cognição?
Suponha que você esteja aprendendo a costurar. Sendo iniciante, levará horas, se não dias, para aprender determinado tipo de ponto e aperfeiçoá-lo. Com a prática, isso se tornará sua segunda natureza.
Curiosamente, o oposto também é verdadeiro. Quando você deixa de praticar, as conexões se enfraquecem e você já não terá a mesma eficiência na execução dessa tarefa.
Um artigo da Frontiers explica isso usando a metáfora de uma trilha em uma floresta fechada pela vegetação. Na primeira vez em que você passar por ela, terá dificuldades em afastar os galhos e a vegetação do seu caminho.
No entanto, quanto mais você passar por ela, mais transitável o caminho se tornará, à medida que você remove os galhos do caminho cada vez que passa. Depois de algum tempo, chegará o momento em que não precisará remover nada, pois o caminho estará livre, permitindo que você caminhe com facilidade.

Você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado.
Contudo, se você deixar de passar por essa trilha por alguns meses ou anos, a mata voltará a crescer. Caso precisasse retornar a ela, você teria que recomeçar do zero.
No entanto, é importante notar que algumas conexões neurais no cérebro tornam-se tão fortes que nunca desaparecem completamente, mesmo quando não são utilizadas com frequência.
Ao conhecer essas informações sobre o seu cérebro, você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado. Você agora sabe que precisa praticar uma nova habilidade ou atividade para aperfeiçoá-la.
Melhor ainda, se você testar a si mesmo, terá maior probabilidade de lembrar a informação aprendida. Um estudo mostrou que, ao realizar exames ou testes, você retém mais informações em comparação com apenas estudar passivamente. Ou seja, o esforço para resgatar a informação ajuda-o a lembrar-se dela melhor do que simplesmente repeti-la mentalmente.
Imagine que você esteja aprendendo uma nova linguagem de programação. Certamente, praticá-la o ajudará a aprender de maneira mais rápida e eficiente. Mas se você também fizer exercícios de codificação online ou trabalhar em um projeto onde precisa recordar as informações ativamente, terá muito mais probabilidade de reter esse conhecimento que adquiriu.
Construir resiliência
Compreender como o seu cérebro funciona também o ajudará a desenvolver resiliência. É interessante notar que a resiliência não é um traço com o qual você nasce. É um processo de pensamento e um conjunto de comportamentos que você pode aprender e desenvolver ao longo do tempo.
A resiliência é fundamental porque lhe dá forças para superar e processar as dificuldades da vida. Pessoas que não possuem resiliência têm maior tendência a ficarem sobrecarregadas e a adotarem mecanismos de enfrentamento pouco saudáveis.
Enquanto isso, indivíduos com maior nível de resiliência conseguem recorrer às suas redes de apoio e forças internas para encontrar uma saída para seus problemas e superar tragédias ou desafios na vida.
E não, os mantras do Instagram com fundos descolados não vão ajudá-lo aqui. Em vez disso, você pode usar a neuroplasticidade do seu cérebro para construir uma mente resiliente. Ao fazer isso, melhora a sua capacidade de lidar com o estresse.
Primeiramente, compreendamos o que realmente significa resiliência. Ser resiliente não significa indiferença diante de qualquer dor ou tragédia que surja em sua jornada. É, de fato, o processo de adaptação diante de um trauma, tragédia ou adversidade.
Em termos simples, é o ato de "dar a volta por cima" após um evento marcante em sua vida, como a perda de um ente querido ou um problema de saúde. E a resiliência não é proporcional à quantidade de palestrantes motivacionais que você ouve ou ao quanto você reza — embora essas coisas possam ajudar.
A resiliência tem muito a ver com a ativação do córtex pré-frontal esquerdo do seu cérebro.
Pesquisas sobre resiliência e o cérebro
De acordo com Richard Davidson, professor de Psicologia e Psiquiatria na Universidade de Wisconsin–Madison, o grau de ativação nessa região cerebral em uma pessoa resiliente pode ser até trinta vezes maior do que em alguém que não seja resiliente.
Em seus primeiros estudos, Davidson descobriu que a intensidade dos sinais enviados do córtex pré-frontal para a amígdala determina a velocidade com que o cérebro de uma pessoa se recupera de uma perturbação emocional.
A amígdala é uma região do cérebro que detecta ameaças e ativa a resposta de luta ou fuga. Havendo uma atividade intensificada no córtex pré-frontal, reduz-se o tempo que a amígdala leva para ser regulada.
Por outro lado, caso ocorra menor ativação no lado esquerdo do córtex pré-frontal, a amígdala leva mais tempo para responder. Posteriormente, Davidson realizou pesquisas mais abrangentes por meio de exames de ressonância magnética (MRI) e constatou que a quantidade de substância branca — axônios que conectam os neurônios — entre a amígdala e o córtex pré-frontal é diretamente proporcional à resiliência.
Em termos claros, isso significa que quanto mais substância branca ou maior conectividade você tiver entre essas duas regiões, mais resiliente você será. O inverso também é válido.
Como construir um cérebro resiliente?
A pesquisa do Professor Davidson é um excelente exemplo de como podemos usar o conhecimento sobre nossos cérebros para nos aprimorarmos. A esta altura, você já sabe que criar conexões mais fortes entre a amígdala e o córtex pré-frontal ajudará a torná-lo mais resiliente.

Você pode trabalhar ativamente para isso ao adotar hábitos e comportamentos que ajudarão a construir um cérebro resiliente.
Sendo assim, você pode trabalhar ativamente para alcançar esse objetivo adotando hábitos e práticas cotidianas que apoiam o desenvolvimento de um cérebro sólido e resiliente. Veja alguns exemplos:
Pratique a autocompaixão: Ter compaixão consigo mesmo não deve ser confundido com arrogância, complacência ou autocomiseração. Na verdade, é o reconhecimento positivo de seus erros e sofrimentos, ajudando-o a reagir a eles com compreensão e acolhimento. Pesquisas apontam que a autocompaixão constitui um fator determinante para que eventos trágicos tornem-se retrocessos ou degraus para seguir em frente.
Pratique Mindfulness (Atenção Plena): Ser consciente ou praticar mindfulness significa apenas estar desperto para as ocorrências no exato momento em que elas acontecem. Na atenção plena, você deve focar sua consciência no presente. Estudos mostram que o mindfulness pode induzir a neuroplasticidade no cérebro. Consequentemente, pode atenuar a degeneração cerebral decorrente da idade, ampliar o poder de concentração, otimizar sua memória de trabalho e melhorar as funções cognitivas.
Pratique a gratidão: Sendo humanos, mostramos uma tendência inata para perceber e focar nas coisas negativas — fenômeno denominado viés de negatividade. Infelizmente, essa característica inerente muitas vezes nos dificulta sermos resilientes perante as adversidades. Contudo, a gratidão é uma prática cientificamente comprovada para superar esse viés negativo e internalizar o que há de bom na vida. Pesquisas revelam que a gratidão não só otimiza a saúde de modo geral, mas também aperfeiçoa a qualidade e a quantidade de sono.
Embora estas não sejam as únicas maneiras de estruturar um cérebro resiliente, tais práticas o ajudam a melhorar a conectividade cerebral ao longo do tempo. Você também pode exercitar outros aspectos, como a generosidade, a motivação e o aprendizado contínuo para aperfeiçoar sua resiliência.
Otimizar o funcionamento cerebral
A partir do momento em que começa a compreender como funciona o seu cérebro, você passa a ser capaz de, efetivamente, aprimorar o seu desempenho global. Através do treino, você pode desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Memória de trabalho
Sua memória de trabalho é a capacidade do cérebro de reter informações enquanto você soluciona um determinado problema. Por exemplo, quando você lê um número em uma agenda e consegue retê-lo tempo suficiente para digitá-lo no celular.
Contudo, você se esquecerá dele em uma hora.
Estudos dedicados ao cérebro indicam que a memória de trabalho possui um mecanismo subjacente dividida em três fases: armazenamento, atenção e controle.
Diferentes metodologias de análise cerebral mostram que todas essas três vertentes são relevantes para explicar por que a capacidade da memória de trabalho difere entre as pessoas. A amplitude da memória de trabalho também se encontra associada à maturação cerebral.
Por exemplo, crianças no início da idade escolar conseguem apenas seguir uma ou duas instruções por vez. Ao passo que os professores podem sugerir uma listagem de tarefas aos alunos do ensino médio e os cérebros destes serão capazes de lembrá-las.
Confira alguns indicadores que podem sugerir uma memória de trabalho fragilizada:
Você quer participar de um diálogo, mas quando chega a sua vez de falar, você já esqueceu o que ia dizer.
Esquece com frequência onde deixou a carteira, as chaves e o celular.
Você planeja realizar uma atividade, mas esquece de levar o material necessário para ela, mesmo tendo sido lembrado disso poucos minutos antes.
Precisa ler um mesmo parágrafo repetidas vezes para conseguir reter o conteúdo ali expresso.
Caso se identifique com essas situações, é provável que você possua uma memória de trabalho pouco desenvolvida. Como melhorá-la? Aprendendo mais sobre o seu cérebro e entendendo como o seu cérebro especificamente atua.

Através da prática, você consegue desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Assim que obtiver essas informações, você poderá usá-las para treinar seu cérebro de forma adequada. Por exemplo, você pode usar uma técnica chamada
Nossos cérebros são a parte mais complexa de nossos corpos, controlando tudo, desde a inteligência e a cognição até o gerenciamento de comportamentos. Embora tenha apenas três libras de peso (cerca de 1,4 kg), o cérebro é a torre de controle de todo o resto do corpo.
Ele é tão essencial para o funcionamento do corpo que começa a amadurecer antes do nascimento. Curiosamente, o cérebro não amadurece na mesma proporção em todos os indivíduos. No entanto, isso não deve ser uma grande surpresa.
Nossos corpos crescem de forma diferente. Da maturidade emocional à puberdade, alcançamos diferentes estágios em ritmos distintos. Portanto, faz todo o sentido que nossos cérebros também sejam diferentes. Com certeza você ficou curioso sobre o funcionamento do seu cérebro e como ele pode diferir do de outra pessoa.
Aqui está uma visão geral de por que é importante conhecer o seu cérebro e como este conhecimento pode capacitar você.
Por que aprender sobre o seu cérebro
Nosso sistema nervoso é constituído por uma série de células, chamadas neurônios, que formam as unidades funcionais primárias do cérebro. Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Em média, o cérebro humano compreende de 80 a 90 bilhões de neurônios. Além dos neurônios, o cérebro também contém as glias — células especializadas que protegem os neurônios.

Todas as memórias, sentimentos, sensações e movimentos do corpo resultam da passagem de sinais através de neurônios de diferentes funções, formas e tamanhos.
Os cientistas aprenderam muito sobre o cérebro nos últimos séculos, incluindo muitas de suas estruturas e funções. Essas descobertas mostraram que a anatomia básica do cérebro é semelhante para todos nós.
No entanto, o padrão de conexões e interações neuronais varia de pessoa para pessoa. É aí que reside a variação no comportamento humano. Nossos circuitos cerebrais se remodelam a cada nova experiência, tornando-nos as pessoas que somos.
Como ainda conseguimos nos lembrar de um incidente ocorrido há vinte anos? Como as pessoas aprendem a dançar balé ou a fazer malabarismo com uma dezena de bolas de uma vez só? Todas essas experiências incríveis podem ser atribuídas ao cérebro.
Contudo, o cérebro é tão complexo que é difícil compreendê-lo totalmente. Os pesquisadores ainda estão tentando entender as diferentes partes do cérebro e o papel que desempenham nas emoções, na memória, no intelecto e em outras percepções.
Para compreendermos verdadeiramente o cérebro, precisamos identificar as células que o compõem e caracterizá-las com base em sua conectividade e função. Na verdade, muitos tratamentos novos provêm dessa compreensão fundamental da maneira como os neurônios interagem no corpo.
Um dos primeiros métodos de estudo do cérebro foi o Eletroencefalograma (EEG). Em 1929, Hans Berger colocou sensores no couro cabeludo para registrar os potenciais elétricos gerados pelos neurônios. Isso proporcionou a primeira visão (insight) sobre a atividade cerebral. Embora esse EEG inicial consistisse em registros analógicos rudimentares, a tecnologia progrediu de modo a permitir a digitalização de dados de ondas cerebrais, sendo ainda comumente utilizada em uma ampla variedade de cenários. Hoje, a psicologia cognitiva e a ciência do cérebro são mais baseadas no contexto. Dispomos agora de ferramentas que nos permitem estudar conjuntos de dados para compreender o funcionamento cerebral em relação a certas condições, ambientes, gatilhos e atividades — algo que não era possível anteriormente.
A contextualização dos estudos cerebrais possibilita-nos compreender melhor a nós mesmos e estudar a forma como o nosso cérebro participa em nossa interação com o meio que nos rodeia.
Considerando isso, existem muitas razões para você buscar aprender sobre o seu cérebro.
Melhorar as habilidades de aprendizado
Ao longo dos anos, as pesquisas em torno da capacidade de "aprendizado" do cérebro ajudaram educadores a criar um ambiente de aprendizagem que seja não apenas adequado para os estudantes, mas que também facilite o aprendizado eficaz.
Contudo, esse conhecimento não é útil apenas para os professores. Você também pode utilizá-lo individualmente para otimizar seu bem-estar cognitivo e, em última análise, melhorar a sua qualidade de vida.
Tomemos o exemplo do aprendizado de coisas novas para explicar isso em detalhes.
Quando você aprende algo novo, ocorrem muitas mudanças no seu cérebro. Dessas alterações, a mais proeminente é a formação de novas conexões entre os neurônios — fenômeno conhecido como neuroplasticidade.
Se você continuar praticando uma mesma atividade repetidamente, essas conexões tornam-se mais fortes. Como resultado, as mensagens entre os neurônios são transmitidas com rapidez. Como isso ajuda você? Permite-lhe recordar o que aprendeu de uma forma muito mais ágil e eficiente.
Como melhorar a sua cognição?
Suponha que você esteja aprendendo a costurar. Sendo iniciante, levará horas, se não dias, para aprender determinado tipo de ponto e aperfeiçoá-lo. Com a prática, isso se tornará sua segunda natureza.
Curiosamente, o oposto também é verdadeiro. Quando você deixa de praticar, as conexões se enfraquecem e você já não terá a mesma eficiência na execução dessa tarefa.
Um artigo da Frontiers explica isso usando a metáfora de uma trilha em uma floresta fechada pela vegetação. Na primeira vez em que você passar por ela, terá dificuldades em afastar os galhos e a vegetação do seu caminho.
No entanto, quanto mais você passar por ela, mais transitável o caminho se tornará, à medida que você remove os galhos do caminho cada vez que passa. Depois de algum tempo, chegará o momento em que não precisará remover nada, pois o caminho estará livre, permitindo que você caminhe com facilidade.

Você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado.
Contudo, se você deixar de passar por essa trilha por alguns meses ou anos, a mata voltará a crescer. Caso precisasse retornar a ela, você teria que recomeçar do zero.
No entanto, é importante notar que algumas conexões neurais no cérebro tornam-se tão fortes que nunca desaparecem completamente, mesmo quando não são utilizadas com frequência.
Ao conhecer essas informações sobre o seu cérebro, você pode se capacitar para otimizar suas habilidades de aprendizado. Você agora sabe que precisa praticar uma nova habilidade ou atividade para aperfeiçoá-la.
Melhor ainda, se você testar a si mesmo, terá maior probabilidade de lembrar a informação aprendida. Um estudo mostrou que, ao realizar exames ou testes, você retém mais informações em comparação com apenas estudar passivamente. Ou seja, o esforço para resgatar a informação ajuda-o a lembrar-se dela melhor do que simplesmente repeti-la mentalmente.
Imagine que você esteja aprendendo uma nova linguagem de programação. Certamente, praticá-la o ajudará a aprender de maneira mais rápida e eficiente. Mas se você também fizer exercícios de codificação online ou trabalhar em um projeto onde precisa recordar as informações ativamente, terá muito mais probabilidade de reter esse conhecimento que adquiriu.
Construir resiliência
Compreender como o seu cérebro funciona também o ajudará a desenvolver resiliência. É interessante notar que a resiliência não é um traço com o qual você nasce. É um processo de pensamento e um conjunto de comportamentos que você pode aprender e desenvolver ao longo do tempo.
A resiliência é fundamental porque lhe dá forças para superar e processar as dificuldades da vida. Pessoas que não possuem resiliência têm maior tendência a ficarem sobrecarregadas e a adotarem mecanismos de enfrentamento pouco saudáveis.
Enquanto isso, indivíduos com maior nível de resiliência conseguem recorrer às suas redes de apoio e forças internas para encontrar uma saída para seus problemas e superar tragédias ou desafios na vida.
E não, os mantras do Instagram com fundos descolados não vão ajudá-lo aqui. Em vez disso, você pode usar a neuroplasticidade do seu cérebro para construir uma mente resiliente. Ao fazer isso, melhora a sua capacidade de lidar com o estresse.
Primeiramente, compreendamos o que realmente significa resiliência. Ser resiliente não significa indiferença diante de qualquer dor ou tragédia que surja em sua jornada. É, de fato, o processo de adaptação diante de um trauma, tragédia ou adversidade.
Em termos simples, é o ato de "dar a volta por cima" após um evento marcante em sua vida, como a perda de um ente querido ou um problema de saúde. E a resiliência não é proporcional à quantidade de palestrantes motivacionais que você ouve ou ao quanto você reza — embora essas coisas possam ajudar.
A resiliência tem muito a ver com a ativação do córtex pré-frontal esquerdo do seu cérebro.
Pesquisas sobre resiliência e o cérebro
De acordo com Richard Davidson, professor de Psicologia e Psiquiatria na Universidade de Wisconsin–Madison, o grau de ativação nessa região cerebral em uma pessoa resiliente pode ser até trinta vezes maior do que em alguém que não seja resiliente.
Em seus primeiros estudos, Davidson descobriu que a intensidade dos sinais enviados do córtex pré-frontal para a amígdala determina a velocidade com que o cérebro de uma pessoa se recupera de uma perturbação emocional.
A amígdala é uma região do cérebro que detecta ameaças e ativa a resposta de luta ou fuga. Havendo uma atividade intensificada no córtex pré-frontal, reduz-se o tempo que a amígdala leva para ser regulada.
Por outro lado, caso ocorra menor ativação no lado esquerdo do córtex pré-frontal, a amígdala leva mais tempo para responder. Posteriormente, Davidson realizou pesquisas mais abrangentes por meio de exames de ressonância magnética (MRI) e constatou que a quantidade de substância branca — axônios que conectam os neurônios — entre a amígdala e o córtex pré-frontal é diretamente proporcional à resiliência.
Em termos claros, isso significa que quanto mais substância branca ou maior conectividade você tiver entre essas duas regiões, mais resiliente você será. O inverso também é válido.
Como construir um cérebro resiliente?
A pesquisa do Professor Davidson é um excelente exemplo de como podemos usar o conhecimento sobre nossos cérebros para nos aprimorarmos. A esta altura, você já sabe que criar conexões mais fortes entre a amígdala e o córtex pré-frontal ajudará a torná-lo mais resiliente.

Você pode trabalhar ativamente para isso ao adotar hábitos e comportamentos que ajudarão a construir um cérebro resiliente.
Sendo assim, você pode trabalhar ativamente para alcançar esse objetivo adotando hábitos e práticas cotidianas que apoiam o desenvolvimento de um cérebro sólido e resiliente. Veja alguns exemplos:
Pratique a autocompaixão: Ter compaixão consigo mesmo não deve ser confundido com arrogância, complacência ou autocomiseração. Na verdade, é o reconhecimento positivo de seus erros e sofrimentos, ajudando-o a reagir a eles com compreensão e acolhimento. Pesquisas apontam que a autocompaixão constitui um fator determinante para que eventos trágicos tornem-se retrocessos ou degraus para seguir em frente.
Pratique Mindfulness (Atenção Plena): Ser consciente ou praticar mindfulness significa apenas estar desperto para as ocorrências no exato momento em que elas acontecem. Na atenção plena, você deve focar sua consciência no presente. Estudos mostram que o mindfulness pode induzir a neuroplasticidade no cérebro. Consequentemente, pode atenuar a degeneração cerebral decorrente da idade, ampliar o poder de concentração, otimizar sua memória de trabalho e melhorar as funções cognitivas.
Pratique a gratidão: Sendo humanos, mostramos uma tendência inata para perceber e focar nas coisas negativas — fenômeno denominado viés de negatividade. Infelizmente, essa característica inerente muitas vezes nos dificulta sermos resilientes perante as adversidades. Contudo, a gratidão é uma prática cientificamente comprovada para superar esse viés negativo e internalizar o que há de bom na vida. Pesquisas revelam que a gratidão não só otimiza a saúde de modo geral, mas também aperfeiçoa a qualidade e a quantidade de sono.
Embora estas não sejam as únicas maneiras de estruturar um cérebro resiliente, tais práticas o ajudam a melhorar a conectividade cerebral ao longo do tempo. Você também pode exercitar outros aspectos, como a generosidade, a motivação e o aprendizado contínuo para aperfeiçoar sua resiliência.
Otimizar o funcionamento cerebral
A partir do momento em que começa a compreender como funciona o seu cérebro, você passa a ser capaz de, efetivamente, aprimorar o seu desempenho global. Através do treino, você pode desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Memória de trabalho
Sua memória de trabalho é a capacidade do cérebro de reter informações enquanto você soluciona um determinado problema. Por exemplo, quando você lê um número em uma agenda e consegue retê-lo tempo suficiente para digitá-lo no celular.
Contudo, você se esquecerá dele em uma hora.
Estudos dedicados ao cérebro indicam que a memória de trabalho possui um mecanismo subjacente dividida em três fases: armazenamento, atenção e controle.
Diferentes metodologias de análise cerebral mostram que todas essas três vertentes são relevantes para explicar por que a capacidade da memória de trabalho difere entre as pessoas. A amplitude da memória de trabalho também se encontra associada à maturação cerebral.
Por exemplo, crianças no início da idade escolar conseguem apenas seguir uma ou duas instruções por vez. Ao passo que os professores podem sugerir uma listagem de tarefas aos alunos do ensino médio e os cérebros destes serão capazes de lembrá-las.
Confira alguns indicadores que podem sugerir uma memória de trabalho fragilizada:
Você quer participar de um diálogo, mas quando chega a sua vez de falar, você já esqueceu o que ia dizer.
Esquece com frequência onde deixou a carteira, as chaves e o celular.
Você planeja realizar uma atividade, mas esquece de levar o material necessário para ela, mesmo tendo sido lembrado disso poucos minutos antes.
Precisa ler um mesmo parágrafo repetidas vezes para conseguir reter o conteúdo ali expresso.
Caso se identifique com essas situações, é provável que você possua uma memória de trabalho pouco desenvolvida. Como melhorá-la? Aprendendo mais sobre o seu cérebro e entendendo como o seu cérebro especificamente atua.

Através da prática, você consegue desenvolver habilidades de planejamento, organização, memória e foco.
Assim que obtiver essas informações, você poderá usá-las para treinar seu cérebro de forma adequada. Por exemplo, você pode usar uma técnica chamada

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